Estudo revela impacto da tarifa zero no transporte coletivo brasileiro

transporte coletivo brasileiro

Brasileiros gastam bilhões com transporte coletivo, valor que poderia ser injetado na economia nacional. Pesquisa recente cruzou dados de mobilidade das 27 capitais e comparou o impacto da tarifa zero ao do Bolsa Família.

Como a tarifa zero pode movimentar a economia do transporte coletivo

Extinguir a passagem do transporte público nas 27 capitais brasileiras poderia liberar mais de R$ 45 bilhões por ano na economia do país. A implementação da Tarifa Zero no transporte público coletivo pode movimentar até R$ 60,3 bilhões por ano nas capitais brasileiras, com uma injeção líquida estimada em R$ 45,6 bilhões na economia.

Os dados são de pesquisa divulgada por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo descontou 24,38% referentes a gratuidades já existentes, como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência, o que corresponde a R$ 14,7 bilhões já em circulação na economia. Assim, a injeção real adicional seria de R$ 45,6 bilhões.

Os pesquisadores cruzaram dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade (PEMOB 2024), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de operadoras de transporte das capitais.

Potencial redistributivo e estímulo econômico do transporte coletivo

Segundo o professor Thiago Trindade, coordenador do estudo, a lógica é simples. Ao converter o gasto compulsório com passagens em renda disponível, o Estado promoveria um estímulo econômico que retorna à sociedade na forma de consumo e arrecadação de impostos.

Além disso, a política tem forte potencial redistributivo, funcionando como um “salário indireto” e beneficiando sobretudo populações de baixa renda, negras e periféricas. Os pesquisadores comparam o impacto ao do Bolsa Família em seus primeiros anos.

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Desafios e avaliação governamental

A proposta da tarifa zero já chegou ao Palácio do Planalto. Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério da Fazenda elabora um estudo de viabilidade econômica para identificar possibilidades de mudanças no sistema de transporte público.

No entanto, o ministro reconhece o obstáculo central. “Se vamos avaliar a implementação de tarifa zero, temos que saber de onde vão sair os recursos para isso; qual o tamanho dessa despesa”, disse o ministro, acrescentando que qualquer proposta terá que ser discutida com municípios e estados.

Modelo atual do transporte coletivo e a necessidade de mudança

O ministro afirmou que o modelo atual, no qual o cidadão paga integralmente a tarifa sem subsídio público, “está falido” e “não funciona mais” no Brasil nem no mundo. Portanto, a questão não é mais se o sistema precisa mudar, mas como e quando isso vai acontecer.

Conclusão

A implementação da tarifa zero no transporte coletivo pode liberar bilhões para a economia e beneficiar populações vulneráveis. O debate sobre o modelo atual, considerado falido, avança com estudos governamentais para viabilizar mudanças necessárias no sistema.

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